quarta-feira, 7 de setembro de 2016

O NINHO DA SERPENTE


Os jornalecos que exploram o sangue e a alienação nas periferias brasileiras (em sintonia com os showrnalismos de rádio e TV) - ao invés de informar e revelar as reais relações existentes na violência - têm um papel de criação e reforço de uma subjetividade do medo, amplificando um viés fascista de segurança pública, orientado para a repressão e a morte; e claro, o RS, por sua tradição familiaresca e conservadora de poder no jornalismo, não poderia estar fora disso. E a cultura política que permitiu e protege o golpe que se efetivou se alimenta disso.

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

PROVOCAÇÕES DO TIÃO - Ser campesino hoy en día es una acto subversivo

Por Renata Bessi y Santiago Navarro F



Era “el día Q´anil, el de la semilla, el momento de sembrar”, dijo Antonio Gonzales, indígena maya de Guatemala. Entonces era el primer día del II Encuentro Internacional Economía Campesina y Agroecología en América: Soberanía alimentaría, cambio climático y tecnologías agroecológicas, en Chapingo, estado de México. Era el tiempo de las voces del sur y para el sur.

 Estudiantes, campesinos de diversas organizaciones, académicos e investigadores locales y de países como Venezuela, India, Brasil y Guatemala llegaron a la Universidad Autónoma de Chapingo en busca de esa semilla, la del conocimiento, la semilla de las alternativas. Se olvidaron los perfiles de cada quien al meter las manos a la tierra, mientras el agrónomo brasileño Sebastiao Pinheiro les impartía un taller practico y, al mismo tiempo, hablaba de los daños colaterales posterior a la 2ª Guerra Mundial, donde dio inicio la Revolución Verde, el modelo que se ha basado en el monocultivo, la tecnificación y la aceleración de los ciclos naturales de la agricultura para obtener mayor producción en menos tiempo. “Desde la segunda guerra mundial, hasta el día de hoy, más de mil millones de vidas ha cobrado esta guerra, seguidos en el año 1930 con los insumos químicos utilizados en la agricultura y la matriz tecnológica impuesta para los pueblos”, señaló Pinheiro.


Veja o texto completo no Avispa.org  (http://avispa.org/2016/08/16/campesino-hoy-dia-una-acto-subversivo/)

terça-feira, 2 de agosto de 2016

Sementes Florestais: Guia para germinação de 100 espécies nativas


Esta publicação, produzida pelo Instituto Refloresta (antigo Ecoar Florestal) e seus parceiros, oferece informações fundamentais sobre germinação, trazendo uma grande contribuição aos profissionais que atuam na área florestal – viveiristas, produtores de sementes, técnicos e estudantes. Acreditamos que será uma facilitadora da atividade de produção do setor, pelo rigor das informações contidas e pela simplicidade com que são transmitidas, sendo, desde já, fonte de inspiração para a produção de outros materiais do gênero. (...)

Baixe o arquivo aqui.

Reproduzido do Global Tree.

sábado, 30 de julho de 2016

Provocações do Tião: Glyphosate na lavoura, na água, na merenda e nos intenstinos - que M. é essa?! - grita o biopoder camponês

 Sebastião Pinheiro*

A colega Raniera solicitou informações sobre a água de Porto Alegre. Meu sarcasmo pampeano permite intitular essa resposta: Do “bigstick” de Eisenhower ao tapinha nas costas de Obama.

O livro “The Second Brain” (O Segundo Cérebro), do médico Michael Gershon, é “Best Seller”, e causa comoção ao denunciar a destruição pelos hábitos de vida impostos pelo “Complexo agro-industrial, alimentar, financeiro (agronegócios).

Quando o Brasil reatou relações diplomáticas com a China - suspensas dez anos antes, quando a missão diplomática daquele país foi presa, expropriada de seu dinheiro, condenada, e posteriormente, indultada e expulsa nos dias seguintes ao golpe militar (Foto1) - há 42 anos, em Brasília, o ditador Geisel recebeu a nova comitiva chinesa (Foto2) e, para luzir sua ação social naquele, então a palavra Social nem constava no nome e sigla do BNDE.  Teria dito aos comunistas asiáticos que toda criança na escola brasileira recebia uma merenda escolar.



O pobre tradutor chinês da missão ficou numa saia justa, pois não conseguia traduzir a intenção das palavras do ditador sobre o termo merenda. O tradutor brasileiro tentou explicar, mas a comitiva estrangeira não conseguia entender o porquê de se comer na escola de um turno. Depois de algum nervosismo e sorrisos amarelos dos locais, o chefe da delegação foi claro e objetivo: “Na China toda criança sai de sua casa o suficientemente alimentada para não necessitar comer na escola, pois isso prejudica o seu aprendizado”. 

A parte final da tradução para o português ficou incompleta, graças ao “desconfiometro” do tradutor nacional, e até mesmos os estrangeiros entenderam.

Primeiro a “cantina”, e depois a merenda escolar, desde então, continuam sendo um dos itens de maior corrupção na educação do país pelo interesse da indústria de alimentos. O INAN e PRONAN foram criados pela lei 5.829/72 e regulamentado pelo Decreto 72.034 de 31 de março de 1973, um dia antes do décimo aniversário do golpe militar, pelo carrasco Médici, mas as políticas do SAN começaram no Estado Novo no interesse da indústria futura (No Colégio Batista Brasileiro, em 1954, todos os alunos receberam creme dental e escova da Kolynos, que ensinou a escovar os dentes, e logo em seguida, a Nestlé distribuiu jogos e latinhas de Nescau).

Já passou mais de meio século de muita euforia e milhões de crianças continuam, tanto mal educadas, quanto famélicas, recebendo sua única alimentação na escola ou complementando-a com o “Bolsa Família”, que carece de qualidade.

O que preocupava o embaixador chinês agora é exponencial.

Itamar Franco pretendeu acabar com a mega corrupção, ao municipalizar a merenda escolar, através da Lei 8.913 de 1994. Contudo, o estado de SC deu um exemplo, ao exigir que a alimentação escolar fosse natural e orgânica, com a Lei 12.601 de 18 de Dezembro de 2001.

Antecipando-se, o governo federal editou a medida provisória N. 2178-36, centralizando os recursos para a aquisição da mesma, ludibriando a qualidade e natural.

Com a Lei 11.947/09, o governo federal tornou monopólio a compra por entidades alinhadas a ele, e fez muito alarde e propaganda. As quantidades compradas nunca atendem a necessidade nacional, enquanto os gastos em propaganda sobre a referida política pública gastou pelo menos dez vezes aquele valor em proselitismo vazio e eleitoreiro, mas não política pública consolidada.

O tempo passou. A China é uma potencia mundial com astronautas, e mantém o alicerce comunista, mas sua nomenclatura veste “Armani” e usa sapato “Louis Viutton”; os daqui também, mas as crianças continuam com a tradicional merenda que, na maioria das vezes, é sopa instantânea, sardinha em lata, macarrão, arroz e Tangs, Q-sucos de todas as cores e sabores.

Infelizmente, com essa alimentação não vamos ter os cinco Prêmio Nobel que a Argentina tem, nem os três do México, os dois do Chile ou o de Peru, Colômbia e Guatemala. Nem nossas crianças serão selecionadas para a produção de matéria fecal para o OPENBIOME BANK do M.I.T, o que poderia, no futuro, transformar-se num segmento de recebimento de divisas maior que o de remessa dos trabalhadores no exterior. Nem terão seu “segundo cérebro” funcionando melhor para ajudar o desnutrido primeiro, sobrecarregado com a merenda e o estudo simultâneo.

Sobre a água de Porto Alegre/RS, que está com cheiro hediondo, George Orwell foi lapidar: “In a time of universal deceit, telling the truth is a revolutionary act” (Em tempo de fraude universal, dizer a verdade é um ato revolucionário). 

Mas, ao assistir a entrevista da secretária de Estado do Meio Ambiente e do Desenvolvimento Sustentável/RS e ver o diretor do Departamento de Água e Esgoto da Prefeitura tomar água, lembrei o saudoso Lutzenberger quando a apresentadora Tânia Carvalho em entrevista ao eng. químico Millo Raffin, ele rebateu as informações técnicas:

“O que o tecnocrata está dizendo é que em cada copo de água potável distribuída pode haver uma colherinha de merda dissolvida”. Era época do Prefeito (indicado pela Marinha) Socias Villela no regime autoritário.

O tempo passou, envelheci e triste acompanho as informações que o cheiro presente na água é devido à Actinomicetes, um singelo absurdo. Buckminster Fuller ensina: “You never change things by fighting the existing reality. You change something by building a new world that makes the existing model obsolete” (Você nunca muda as coisas lutando contra a realidade existente. Você muda algo através da construção de um novo mundo que faz com que o modelo existente fique obsoleto). 

Ignorar não só ciência e tecnologia, mas, invariavelmente, a cordura e bom senso é a formação do tecnocrata heteronômico.

A hidrologia no RS mostra que mais de 33% da água passa pela cidade de Porto Alegre carregando tudo que, desde os limites das bacias é nela suspenso ou dissolvido. O tratamento de potabilidade e higienização física e química, já não consegue manter a qualidade biológica e a água perde vida.

O impacto dos resíduos de Glyphosate, que aumentou significativamente nos últimos 18 anos, é um poderoso quelador de todos os minerais. Minerais fundamentais no metabolismo da microbiota na água para sua purificação e qualidade. 

Os trabalhos científicos de Antony Samsel & Stephanie Seneff , do MIT sobre os impactos sanitários sobre o sistema enzimático dos citocromos (CYP) causando a depleção de sulfatos (Fe, Mn, Co, Mo y não formação do DMSO precursor do MSM, etc.) com um amplo espectro de alteração nos metabolismo de protistas, plantas e animais. Algas produzem toxinas altissimamente perigosas em épocas especiais do ano em blow up e o Glifosato provoca isso.

Cidadãos em sociedades soberanas não necessitam de adjetivos junto aos nomes para esclarecer valores, pois entendem a significação e o significado semântico nas coisas, senso comum ou consciência coletiva. Sociedades dominadas ou alienadas adoram adjetivos embelezando substantivos por não ter memória cívica.

Há aproximadamente 30 anos, começamos a escutar os termos: “segurança alimentar”, “sementes crioulas” e “sustentabilidade” repetidos de forma impertinente nos movimentos sociais, mídia, órgãos de governo, e, principalmente nos documentos dos organismos multilaterais. Sempre que uma ordem está a ser implantada os neologismos surgem para educar e aculturar consumidores e gestores políticos heteronômicos.

A repetição à exaustão por pessoas humildes leva ao messianismo, o que é bem explorado pelo poder e mercado.

O termo “segurança alimentar”, oriundo do desenvolvimentismo da sociedade industrial, através da SAN no Estado Novo foi substituído pelo de “soberania alimentar” da OMC, manipulado e induzido no meio político subalterno e posto ao serviço da indústria de alimentos, beneficiada com a troca.

No mundo, a maior indústria é a de alimentos e sua pretensão é libertar-se totalmente e definitivamente da agricultura e da natureza para seu poder supremo sobre a energia alimentar, o que significa crescimento continuo. Sugestivo, um irônico yankee diz: - É por isso a segunda indústria é a de medicamentos.

 Diversos artigos em revistas científicas começam a propalar o novo vocábulo: “segundo cérebro”, neologismo para os intestinos, pois o seu funcionamento garante a qualidade do “primeiro”, o mais vital do corpo. 

A ciência comprova que o funcionamento dos intestinos influi sobremaneira nos sistemas imunológico, endócrino e nevrálgico, através do cérebro [The enteric nervous system consists of some 500 million neurons,[6] (including the various types of Dogiel cells),[1][7] one two-hundredth of the number of neurons in the brain, and 5 times as many as the one hundred million neurons in the spinal cord.[8] The enteric nervous system is embedded in the lining of the gastrointestinal system, beginning in the esophagus and extending down to the anus.] wikipedia

Há quatro epidemias mundiais (Foto3):



Nele se enquadram:

- A “Doença Renal Crônica”, provocada pelo herbicida conforme os trabalhos dos cientistas acima;
- A “Epidemia crescente de Diabetes” detonada (despertar de genes) pelo efeito gatilho do referido agrotóxico.
- O “Autismo”, provocado pelo uso do referido herbicida aplicado sobre as sementes transgênicas; É afirmado que 50% das crianças nascidas nos EUA em 2032 serão autistas.
- A outra é a “Disbiose Intestinal” ou Síndrome do Intestino Irritável com mais de um milhão de pacientes e que já matou somente nos EUA 50 mil pessoas, pois a indústria de alimentos é hegemônica às refeições. Os principais agentes da disbiose são o Clostridium difficile e as Salmonelas. Estes dois patogênicos oportunistas são facilmente controlados por saprófitos através de sideróforos, mecanismo que somente os saprófitos dispõem para solubilizar os sais de ferro no ambiente tornando o metal indisponível para os patogênicos.

Os sideróforos são destruídos pela ação quelante do Glyphosate e a microflora perde diversidade, cuja persistência na água é termoestável até 370ºC e biologicamente indestrutível por ser bactericida e fungicida destruindo os ciclos do Enxofre, Nitrogênio e Oxigênio do Efeito Estufa da mudança climática. Quanto mais diversa e abundante a Microbiota Fecal (nos intestinos) mais facilmente são controladas os referidos patogênicos.

Embasados nos estudos da velha medicina chinesa, os cientistas e médicos norte-americanos optaram por uma solução menos radical, ideológica e mais rentável a “sopa dourada”. Uma sopa de excrementos, recém expelidos e naturais, administrada ao paciente. Este tratamento escatológico recebeu o pomposo nome de Transplante de Microbiota Fecal.

Seu desenvolvimento como biotecnologia de ponta trouxe a projeção de um mercado superior ao trilhão de dólares. Pelo que no Massachusetts Institute of Technology (M.I.T) foi criado o OPENBIOME BANK para a compra de excrementos humanos já representa um segmento de bilhões de dólares. Hoje, o pagamento é de 40 dólares por dose de fezes, além de um bônus de 10 dólares para a doação continua por cinco dias seguidos. O transplantado paga pelo menos mil vezes este valor.

O interessante é que médicos e cientistas nos Estados Unidos e México garantem que a epidemia tem sua exacerbação a partir dos resíduos de herbicida Glyphosate® nos alimentos transgênicos e água permitido legalmente. A U.S. EPA já aumentou em 233% sua tolerância nos alimentos.

Ocorre que o principio ativo do Roundup® foi registrado como fungicida e bactericida em 2014 pela Monsanto, precavendo-se de responsabilidades perante as autoridades sanitárias e povo norte-americano.

Em microbiologia molecular há o neologismo Metagenômica, (do grego: além da genômica). No intestino há uma diversidade de 4 a 6 x 1030 ( lê-se dez elevado à potencia 30): De 4 a 6.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000 indivíduos, dos quais as técnicas tradicionais de cultivo em laboratório e identificação alcançam na atualidade somente 1%. 

Contudo, a biologia molecular permite extrair seu DNA/RNA, mas não identificá-los em separado.

Trabalhar com esse universo desconhecido exige mudanças radicais. Desde Pasteur, na saúde e Liebig, na indústria de alimentos e agricultura, o dogma é esterilização total e absoluta como base da higiene. 

Na Metagenômica, há um universo desconhecido que necessita ser identificado e conhecido para entender como faz funcionar melhor o primeiro cérebro descortinando um mundo biológico, econômico, financeiro gigantesco que fará tudo existente até agora ser comparado à descoberta da luz e do fogo. Este segmento científico, tecnológico, sanitário, industrial vale muitos bilhões de dólares.

Para as indústrias de Alimentos e Medicamentos, o Openbiome Bank, acelerador do axioma de liberdade da natureza, que, enquanto não chega, fará o que tem muito dinheiro comer orgânicos (vitalizados) certificados. Quem tiver pouco dinheiro tomará a “sopa dourada”, idem, certificada, quem não tiver sofrera as conseqüências da eugenia biológica, parte do seu dogma capitalista.

Se, a indústria de alimentos chama a endosimbiose em nosso intestino de “segundo cérebro” por razões mercadológicas, mais propriedade há em afirmar que a Microbiota do Solo que alimenta aquela diversidade através da Simbiogênese de Kozo-Poliansky (1924, baseado em “Apoio Mútuo de Kropotkin”, 1890) é muito mais o "segundo coração da humanidade", através da regência ético-moral camponesa, que professa a saúde no solo (Bio~poder camponês).

Quando o camponês recebeu a fórmula do biofertilizante sabia que os micróbios eram a nova ferramenta tecnológica, sem se preocupar com sua ação ou identidade, necessidade implícita da indústria de alimentos e sistema financeiro. 

Quando, por resistência, Julius Hensel começou a usar os pós de rochas não era necessário defini-lo como um "transplante de células-tronco da rocha-mãe" para a restauração do sistema imunológico do solo contaminado y degradado pela agricultura moderna que provoca a epidemia de disbiose em humanos, que agora procura sustentabilidade e soberania alimentar para os ricos, através da segurança mercantil de seus neologismos.

Em agroecologia, com Bio~poder camponês, se “elimina as causas” protege o “segundo coração” e elimina as desigualdades, através da saúde no solo, mas somente as "Pedagogia da Autonomia" e Pedagogia da Indignação (Paulo Freire) nos fazem entender que somos pós de estrelas ou “espíritos em jornada humana”, como alertou Teilhard du Chardin.


Na Sociedade Industrial periférica, “comer merda” é vendido como ciência de ponta, mas desconhecem metagenômica, mesmo quando a estudam. (Foto4) Crianças comem alimentos naturais em Chiapas (México), onde se pratica e exerce o biopoder camponês.



__________________________
*Engenheiro agrônomo, ambientalista e escritor

quinta-feira, 28 de julho de 2016

Chico César - Reis do Agronegócio (Estúdio Showlivre)


Vídeo da música "Reis do Agronegócio", apresentada ao vivo no Estúdio Showlivre, no dia 29 de abril de 2015.

segunda-feira, 25 de julho de 2016

Provocações do Tião: O problema é o Trumpismo, disse-me um leitor sem universidade


Sebastião Pinheiro*

O cientista Roberto da Mata, em entrevista à TV, afirmou que foi criança, em uma casa sem livros. Minha situação era pior, fiquei órfão muito cedo e forçado a “não chorar por não ter sapatos, pois haviam aqueles que não tinham o pé”. O primeiro nome do país independente foi “Império” do Brasil. Na casa onde morava ninguém era alfabetizado, pois escola era para a elite, logo, mesmo indo à escola, livro era supérfluo.

Aprendi a ler sozinho, antes dos 5 anos com outros primos que iam a escola. E, além do jornal O Dia, lia, emprestada pelo vizinho livreiro, as Seleções Reader’s Digest velhas que ele colecionava.

Ler e escrever é muito bom, mas lembro que tomei uma coça aos 11 anos por contestar meu tio, que rato velho não virava morcego, pois são espécies diferentes; Outro “tio” (as aspas, pois ele era casado com minha tia) me deu outra coça, pois ele disse “Orospoque”, para o helicóptero, e eu cai na asneira de corrigi-lo.

Hoje, a segurança que a leitura dá a TV retira, pois esconde a realidade ao não permitir a reflexão que ela traduz.

Meu assunto é a Convenção Republicana, seu início com os protestos generalizados, que me fez assistir os quatro dias, alternando CNN e FOX no show pirotécnico, algo difícil de digerir pelo pouco educativo, meus tios adorariam.

O bizarro eram as prédicas diárias de pastores religiosos que levavam os convencionais ao transe hipnótico. Discursos sem conteúdo ou qualidade, apenas fé partidária dos não contrafeitos a candidatura de Donald Trump. Foi uma avant premiére sobre a decadência do perigoso Império, que jamais ostentou este nome e para entender o melhor é ler Negri ou Lichtheim.

À frente da TV, recordei o canastrão Collor copiando os passos de Jânio Quadros, mas sob o “script” da Plim-Plim, como “caçador de marajás”, que teve até mesmo um Globo Repórter Especial para o prefeito nomeado de Maceió poder eleger-se governador. A leitura de permite reconhecer o coxo (rengo) sentado e o cego dormido.

Lembrei na época em que estávamos ultimando a constituição, quando o tresloucado desempregado Raimundo Nonato Alves da Conceição seqüestrou o avião da VASP no vôo 375, de 28 de setembro de 1988, e queria jogá-lo contra o Palácio do Planalto. Assassinou o co-piloto e baleou o engenheiro de vôo. Ele foi abatido por três tiros, mas morreu no hospital por “anemia falciforme”, uma anomalia genética sem nenhuma relação com os tiros dos “snypers”, conforme consta na Wikipédia, o laudo foi assinado pelo famoso legista Badan Palhares, que também atuou no assassinato e suicídio do PC Farias e namorada, contraditado por peritos de renome.

Sim, é da nossa índole o riso fácil, irresponsável, a pândega, galhofa ou troça herança da corte para o comportamento do povo.

Voltemos a Trump, os analistas yankees disseram, que o pior não é a eleição de Trump, mas o “trumpismo” como herança política na periferia do mundo. É isso que o Erdogan está fazendo? As corporações estimulam. Os analistas políticos yankees sabem que tudo lá já foi programado com antecedência de 50 anos no mínimo, bem diferente do que passa nas universidades periféricas caudatárias.

É razoável lembrar o “caçador de marajá” já governador de Alagoas, quando o Brasil conheceu uma tentativa de “11 de Setembro”, 23 anos antes e teria conhecido seu “Trump” também 27 anos antes, não fosse a intervenção do ex-presidente da Câmara Federal Eduardo Cunha ter descoberto um erro na filiação do apresentador Silvio Santos ao PMB que fez a justiça eleitoral impedir sua postulação (foto).

Em três dias de propaganda partidária ele superava o Collor e seria o Berlusconi caboclo, mas foi indeferido.

Antes de a convenção republicana começar os golpes e atentados já somavam quase mil mortos e o dobro de severamente feridos em menos de dez dias. Durante ela o tiro policial ao afro americano foi respondido por veteranos com o tiro ao policial. Não sai nos jornais o altíssimo índice de suicídios de veteranos do Iraque, Afeganistão, mas garanto que preocupa a ação dos dois veteranos. Será que eles aprenderam algo na cultura do Oriente Médio que despertou neles a reação? Qual o risco disto se alastrar como em 1968... A impressa não pode publicar o que está fora da pauta ou do script. Eis a liberdade.

A convenção terminou com mais duas situações esdrúxulas antes do sangrento atentado em Kabul; Os tresloucados 9 assassinatos em Munique; E no Brasil houve dez prisões de terroristas”... Desinformado, eu pensei que era a galhofa típica contra a corte e já começava a listar: Zika, Chikungunya, Caxumba, Dengue, Delação premiada, Preço do Feijão, Preço do Leite, Fila no Aeroporto, Gabinete do Senador, Água de Porto Alegre. Mas a coletiva de imprensa do Ministro da Justiça me intranqüilizou.

Foi o taxista quem me trouxe a tranqüilidade de volta com seu forte acento carioca: “O Dr. lembra a Greve na Siderúrgica Nacional, houve 3 mortos. Mas foram eleitos mais de vinte prefeitos nas eleições municipais e pelo menos 3 governadores no ano seguinte...” Eu não entendi e ele continuou: Esses presos da “Hashtag”, já começam a carreira política e quiçá algum possa chegar ao píncaro e soltou uma risadinhas sarcástica similar à do pica-pau rei da Mata Atlântica.

Ainda atônito, ao pagar a corrida, atrevi a perguntar-lhe: O Sr. lê muito, não é? - Sim, foi a única coisa que herdei de minha mãe, que me obrigava a ler todo o dia e escrever 30 linhas sobre temas que ela criava.

Voltei para casa e entendi a convenção republicana: O que aconteceu na Bósnia e Kosovo não foi só um problema racial, nem intolerância religiosa. Tanto o Império, quanto as corporações não permitem existir uma fé (igreja) descentralizada; nem meios de comunicação ou escolas fora do script, por isso tanta língua de aluguel diz bobagem sobre escola e ideologia sem ler os 14 livros de Paulo Freire, um advogado desiludido, que se tornou o maior educador do Século.


Se Trump ganha ou não é de menos, mas Ted Cruz seguramente será o César seguinte ao próximo. O resto é outro carnaval, como dizia o vô Nono.
_________
*Enhenheiro agrônomo e florestal, ambientalista e escritor

domingo, 24 de julho de 2016

Eva e Lola, história de duas vidas roubadas

Uma cicatriz histórica se faz presente no cinema argentino, seja que gênero for. Os dramas gerados pelas restrições democráticas naquele País, durante uma das ditaduras mais sangrentas do continente, foram muito além da censura e deixaram marcas latentes em toda a população.

E o cinema, arte que reflete vivamente a vida social, não poderia deixar de expressar isso, em uma espécie de inconsciente coletivo.

Em “Eva e Lola” (2010), Sabrina Farji parte desse contexto para contar a história de duas amigas, colegas de trabalho em uma casa noturna. Ambas representam dois pólos de um mesmo drama coletivo: uma é filha de um militante morto nos porões da temida Escola Superior de Mecânica da Armada, a ESMA; e Lola, filha (seqüestrada) e assumida por um casal, cujo pai é um ex-torturador, que se encontra com a saúde debilitada.

Sobre a vida de ambas amigas está esse peso, que é, ao mesmo tempo, uma busca – de uma identidade – e uma fuga e um vazio que o passado deixou.

Administrar isso, em uma relação entre duas pessoas que tem tanto em comum, e ao mesmo tempo, sensibilidades diferentes em encarar sua realidade, é um desafio para a manutenção dessa amizade, e ao mesmo tempo que uma prova de fogo, sobre a possibilidade de superar uma dor para que a própria existência se torne menos amarga.


O clima natalino dá um toque mais profundo nesse conflito constante de acertos com as memórias e o tempo. No meio disso tudo, o amor romântico - na medida e no tempo que ele tem pra florescer.

terça-feira, 5 de julho de 2016

Paulina - SOBRE VIOLÊNCIAS E REAÇÕES CONTROVERSAS


Estava há alguns dias pra comentar algo sobre esse filme. Nesses tempos de extremos, em que a violência contra a mulher ocupa a centralidade de diversas outras violências, é pertinente, sempre, tentar compreender. Se é fato que a espécie humana, dita racional ,tem liberado impulsos que assustam, não é menos verdade que as reações do Estado ao crime sexual - em suas variadas formas- andam, invariavelmente, distantes e alienadas de qualquer resposta propositiva à transformação desses comportamentos - em geral, ao contrário, facilitam a perpetuação de sua cultura, eepecialmente entre celas. Santiago Mitre, audaciosamente, em direção oposta ao senso comum, põe uma lupa sobre a questão, abordando essa temática por uma órbita surpreendente: um estupro no meio rural, em que a vítima (Dolores Fonzi) é uma estranha ao contexto e que se posiciona na contramão das expectativas. Paulina (Argentina, Brasil - 2015 - 103min) vale a pena ser conferido, não apenas por ser tão próximo de nós geográfica e psicologicamente, mas, sobretudo, porque contrasta com a pobreza de argumentação a respeito do que ainda nos resta para reagir aos comportamentos que municiam o discurso sobre a negação da viabilidade do equilíbrio de nossa raça, contra os caminhos do medo, da dor, do ódio, da clausura ou da morte.


quarta-feira, 29 de junho de 2016

Provocações do Tião – Biopoder Camponês contra os complexos agroquímicos e o onanismo pornográfico da academia

Lisarb estava “chinchudo” como dizia seu vizinho “pampeano” e isso não tinha nada a ver com a Copa América, onde todo mundo cantava o hino com a mão sobre o coração. Lisarb, um genuíno workarholic, depois de postar sobre a separação de Huminas A.S e Huminas AIS (Ver BIOPODER CAMPONÊS (BIOPODER CAMPESINO), adotou o trabalho feito pelos chineses para encontrar o famigerado Roundup, nave-mãe dos agronegócios internacional no meio ambiente, águas e principalmente alimentos, através do complexo de Glyphosate-Ag(2HL) e Glyphosate-NH4H2L, (FOTO), sem recorrer ao uso da Nihindrina, extremamente tóxica e exigente de muita segurança química.

Optou pela Fotoluminescência das moléculas anteriores, com o eletroquímico Methyl Viologen. Contente como cachorro com dois rabos, começou a cantar e dançar sozinho; como o velho Mandinga da novela, Lisarb tinha suas razões superiores. Em 2014, espantosamente, a Monsanto registrou o seu herbicida como bactericida, e também como fungicida (Poucos lembram, mas o veneno já possuía seu “dímero” Polaris usado para evitar o amadurecimento de cana de açúcar, além do geno y xenotóxico ser usado para engrossar e amadurecer banana à doquier, até mesmo aplicado de avião sobre as cidades, pois a Lei 7802/89 jamais foi fiscalizada no Brasil nos últimos 26 anos, e não foi destruída pela coragem do velho e tinhoso Lutzenberger (RIP) e seu fiel escudeiro bugre-caboclo “Juquira”.

Depois, o nomeado Ministro R. Rodrigues escolheu o Executivo da ANDEF como diretor da Câmara Executiva de Agrotóxicos do MAPA. O consumo aumentou 800% e o Brasil ultrapassou os EUA e a U.E que possuem uma agricultura cinco vezes maior que a nossa que é a quinta no mundo.

Não olvidem que a Senadora Ministra da mesma pasta justificava a excelência dos agrotóxicos para dar de comer aos pobres), sem prepotência ou arrogância, deduzia ser isso uma medida precautória junto ao governo dos EUA para evitar indenizações futuras, já que, em 2002, mais de 30 mil cervídeos (veados e alces) foram sacrificados por desenvolverem a Chronicle Wastings Disease (CWD) um príon similar ao mal da vaca louca. As investigações esbarraram que os animais tinham sido alimentados com feno feito com restos de colheitas de cultivos transgênicos resistentes ao herbicida, e que estavam bastante contaminados pelo mesmo; já existiam mais de 200 espécies mutantes resistentes ao seu herbicida, ocupando mais de 500 milhões de hectares; em 2010, irrompeu a Epidemia de Disbiose, com mais de 500 mil afetados e 50 mil mortos e a equação sanitária com o valor “m trigonométrico” apontando para um pico além de mil vezes este valor por culpa dos patógenos Clostridium difficile e várias Salmonelas.

O poder corporativo mercantil junto ao governo yankee impedia a ciência vincular seu herbicida e sementes transgênicas com a destruição lenta e paulatina da diversidade da microbiota intestinal humana pela ação fúngico-bactericida do renomado agrotóxico; além de acionar a mídia para sua defesa.

A flora intestinal humana normal contém de 4 a 6x10 elevado a potência 40 espécies, quando a ciência atual tem a capacidade de isolar e cultivar em laboratório menos de 0,1% desse total, embora pelas técnicas de Biologia Molecular permitem extrair o ADN/ARN desses micróbios e supor os grupamentos (clusters) formados e sua diversidade na flora intestinal (e também no solo) com repercussão sobre o funcionamento dos sistemas imunológico, nervoso e endócrino.

O amigo, médico Dr. Filártiga chamou de “desquisición científica” o postado no Facebook em 29 de abril passado (Ver: Perguntas sobre o Glyphosate, a ganância e de outros venenos que nos cercam diariamente), sobre a origem do Glyphosate como limpador de tubos e caldeiras através da “quelação” de várias dezenas de minerais, desde alcalinos até as Terras Raras. E lisonjeado com os elogios do cientista guarani, Lisarb se pôs a estudar o metabolismo dos felinos. Esses carnívoros, em estado selvagem, sempre começam sua refeição pelo aparelho digestivo das presas abatidas para ingerir enzimas, vitaminas e micróbios para seus intestinos. Somente depois é que atacam as carnes, que justificam sua classificação sistemática.

A importância das enzimas como biocatalizadores recebeu companhia com a descoberta pelos cientistas Hopkins – Funk e Szent-Gyorgyi das vitaminas. Vitaminas são substâncias produzidas em vegetais e micróbios, e acumuladas em alguns órgãos de peixes e animais, fundamentais para o desenvolvimento, saúde e evolução; Na sua ausência, provocam uma série de doenças degenerativas mortais.

Algumas vitaminas são “siderofóros”, outras não. Sideróforos (siderophores) significa “Transportadores de Ferro”, exclusivamente pelos saprófitos, que impede a reprodução e nutrição dos patógenos. Há uma década, ganhei o livro Plant Pathology & Plant Pathogens, de John Lucas, onde explica esse mecanismo evolutivo (grosso modo): Os patógenos (necessitam matar as células com toxinas para sua alimentação), enquanto os saprófitos aproveitam as células naturalmente mortas beneficiando os seres invadidos. Para evitar as toxinas dos patógenos, os saprófitos oxidam e solubilizam o Ferro com moléculas complexas e os patógenos morrem de inanição.

Os pequenos agricultores, na América Latina, produzem, para sua agricultura, um caldo rico em sideróforos, desde 1983 (SuperMagro). Um cientista disse: “Na Alemanha fazemos o amanhã ontem para dominar o hoje”. O biofertilizante camponês chegou trinta anos antes do “neo-Alinit” da biotecnologia alemã, que já era comercializado em 1897. Biopoder Camponês!

Acidentes e ferimentos com pregos enferrujados, ossos podres, terra e outros eram tratados emergencialmente com certas plantas ricas em enxofre aquecidas para acelerar a reação (cebola, alho, mostarda, couve, agrião, coentro, babosa, oliva etc.) que fazia precipitar o sulfeto de Ferro de altíssima insolubilidade 1x10 elevada à potência negativa 23 retirando-o da infecção, facilitando a ação dos saprófitos.

Nosso Glyphosate de cada dia tem ação sobre os saprófitos no interior do estômago e intestino inibindo a formação dos sideróforos dando espaço para os patógenos Clostridium difficile e Salmonelas causarem as diarréias e o diagnóstico de “intestino irritável” dos gastroenterologistas.

O consumo de alimentos industrializados pelos europeus e norte-americanos é quase exclusivo, e a suplementação vitamínica feita de forma artificial ou sintética com a presença de Glyphosate exacerba a epidemia com a presença do veneno na água e em todos os alimentos industrializados, principalmente os oriundos do milho, soja matérias primas básicas na dieta desses povos. Repito, muitas vitaminas são sideróforos (FOTO) e nem sequer comemos mais a clorofila e os pigmentos vegetais que tem as funções de oxidantes, e eliminação de toxinas fúngico-bacterianas, que antes, recebiam o nome de “radicais livres” para contrariedade de alguns alopatas com o termo.

Nosso problema começa quando os resíduos de Glyphosate nas matérias primas são processados a temperaturas elevadas acima de 170 graus C, pois ele sofre uma desidratação e se dimeriza em ácido 2,5 Dioxo-1,4 piperazinyl bis (metilfosfônico), de fortíssimo impacto sobre o sistema endócrino, nervoso, e principalmente, imunológico.

Nas listas de substâncias carcinogênicas e mutagênicas, há uma série de homólogos desse núcleo sendo uma delas o degradabólito do Aspartame, que quando aquecido acima de 86 graus F, conforme a controvérsia existente nos EUA. Tudo mantido sobre o manto protetor do governo, que, recentemente, justificou a validade dos cultivos transgênicos no tocante à inserção do gene e não a repercussão do seu uso indissociável ao herbicida e suas conseqüências.

Nossa preocupação é que, para eliminar as 200 “ervas daninhas mutantes resistentes ao Glyphosate” está sendo adotado o uso do herbicida Methyl Viologen (Gramoxone), já banido da Europa há mais de 40 anos, por riscos, e que retorna, com a pressão da OMC, sobre os governos nacionais ou comunidades livreS de controle toxicológico. E isso ocorre, principalmente na periferia do mundo, onde o governo não pode fiscalizar a fabricação, importação e uso dos venenos, nem aplicar as medidas como a Diretiva Comunitária 91/414 da União Européia (que lá também nos últimos dez anos vem retrocedendo na capacitação e treinamento dos agricultores para a adoção de medidas efetivas de segurança laboral na agricultura e adoção de técnicas superiores ao uso de agrotóxicos), que faz parte das insatisfações dos britânicos do campo no “Brexit”.

A propaganda abusiva dos agronegócios já usa desbragadamente o termo ilegal defensivo agrícola e muitos cientistas oficiais e professores de Universidade, em onanismo pornográfico, voltam priorizar as denúncias sobre os resíduos de agrotóxicos nos alimentos para provocar o desespero e alta de preço nos orgânicos, quando não são alienados e induzidos, muitos têm cartões de gastos corporativos de empresas e cumprem o script de suas ações.

Em um solo com uso continuado de Glyphosate e plantio de sementes transgênicas resistentes ao mesmo, começa o uso de Gramoxone para o controle de “ervas daninhas mutantes resistentes”. Logo, nos deparamos com o problema citado acima de formação do ácido 2,5 Dioxo-1,4 piperazinyl bis (metilfosfônico) no solo catalisado pela presença de Terras Raras que provocam sua fotoluminescência.

Depois de inocular solução de ácido shiquímico em solos tratados com Glyphosate e avaliar durante 16 dias seu metabolismo, agora estamos usando a mesma Cromatografia de Pfeiffer para realizar esses cromatogramas, que são de rara beleza pela fosforescência em UV, embora ainda falte um pouco para sua finalização somos obrigados ao alerta precautório pelo potencial de risco ecotoxicológico em nível molecular (FOTO).

Em meio ao “blá blá blá”, disbiose-mental e servil em universidades e ONGs, nutridas pelo governo, preparamos o “Bombeiro da Agroecologia Camponesa com todos os livros antigos como “Cosmos”, “A Biosfera”, “Medo e Ousadia” e no caso específico Weeds: The Guardians of the Soil, de Joseph Cocconour... são ferramentas estratégicas para evitar que se espere a chegada “sintrópica” das grandes corporações para o mercado que vem sendo elaborado desde a década de 80. 






Para entender melhor, leia BIOPODER CAMPONÊS (BIOPODER CAMPESINO).

___________________________

Sebastião Pinheiro

Engenheiro Agrônomo e Florestal, ambientalista e escritor


















terça-feira, 28 de junho de 2016

Provocações do Tião - BIOPODER CAMPONÊS (BIOPODER CAMPESINO)

Junho, 16, 2016

Sebastiao Pinheiro*

O exponencial de riscos de Mudança Climática cresce com desastres como as tempestades de pó, desde a Mongólia até o Japão, e o avanço dos furacões e tornados cada vez atingindo maior latitude no Hemisfério Boreal, e começando a tornar-se freqüente no Austral, onde amiúde as catástrofes como secas prolongadas, golpes de calor e as “Super-Células” e “Micro-explosões” (Porto Alegre e Campinas) se fazem presentes.

Os cientistas chineses Li Cuilan, Gao Shuqing, Gao Qiang, Wang Lichun e Zhang Jinjing, felizmente, se debruçam sobre o teor de “Huminas” na matéria orgânica do solo para reversão dos fenômenos meteorológicos através da Geoengenharia.

A agricultura moderna, nos últimos dois Séculos, negligenciou no conhecimento da matéria orgânica no solo, em especial, sobre os “ácidos húmicos”; Mais ainda, sobre as huminas, a fração insolúvel dos mesmos. No entanto, já em 1826, Carl Sprengel, pai da Lei do Mínimo, separava o “Carvão Húmus”; e, em 1839, Berzelius a “Huminas” que permaneciam insolúveis nas soluções alcalinas.

Somente em 1919, Oden completou sua classificação onde, além do Carvão Húmus (Huminas), temos: Ácido Húmico – Ácido Himatomelânico e Ácido Fúlvico conforme a Tabela 4 do livro “O Húmus” de S. Waksman na página 82. (FOTO)

A restauração popular da Cromatografia de Pfeiffer, na última década, permitiu aprofundar este fracionamento, de forma pedagógica, para o “Biopoder Camponês”, embora sem uma preocupação maior com as Huminas, agora estratégicas na ameça de Mudança Climática (COP 21). Essa é a preocupação chinesa e também das Fundações Rockefeller, Bill & Melinda Gates e Institutos de Pesquisas pelo mundo.

Na última década, a cromatografia das Chinampas, Ultisoles, Terra Preta de Índio da Amazônia, Turfas, Leonarditas e compostos mostraram que as Glomalinas, Huminas e, principalmente, o “Carvão Ativado Coloidal” presente nelas precisam ser levado em consideração na Cromatografia de Pfeiffer, pois, às 6 horas de repouso e decantação da amostra, no método não é suficiente. Foi necessário ampliar este prazo para 12 horas, 18 horas e 24 horas para uma “corrida” limpa no cromatograma sem a necessidade de diluição da amostra (5g/50ml NaOH 1%) ou uso de saturação de vapor de água.

O método de fracionamento das Huminas Solúveis em Álcalis (AS) e das Huminas Insolúveis em Álcalis (AIS), proposto pelos cientistas chineses, é muito complicado, pois exige a partição com solução 0,1 M/L de NaOH + Na4P2O7 a 0,1 M/L de 25 a 28 vezes seguido de tratamento com HF – HCl a 10% para desconstruir a biomolécula. 


A Humina isolada é, então, fracionada nas frações Humina-AS e Humina- AIS por extração exaustiva com NaOH 0,1 mol L -1 (de 12 a 15 vezes) e a análise de Ressonância Magnética Nuclear do C13 em estado sólido, usando a técnica de polarização cruzada e o ângulo mágico (13C CPMAS RMN) é utilizada para caracterizar e comparar as estruturas químicas da Humina e suas frações correspondentes. (FOTO)

Este último parágrafo deixa qualquer técnico “perdido” ou impotente, pelo que devemos “huarachizar” a ciência para evitar que ultrapasse a “barreira do som” (entendimento popular), muito comum nas caricatas academias.


Então, uma colaboração: – Após a terceira mexida tradicional da Cromatografia de Pfeiffer na solução de Solo Agrícola Comum, Turfa ou Terra Preta de Índio se deixa a mesma decantar por duas horas e se trasfega com cuidado para outro frasco, assim se elimina a Areia fina e Silt (que passam na malha 200 mesh ou vual).

Deixa-se decantar às 4 horas seguintes no escuro e a baixa temperatura no caso de solo agrícola comum (e 10, 16 e 22 horas nas amostras de Ultisoles, Composto, Turfa e/ou Terra Preta de Índio da Amazônia) e se trasfega com cuidado para outro frasco a parte solúvel ficando no fundo a fração de Huminas insolúveis em álcalis, uma goma igual a um chiclete. É possível lavar essa fração com água destilada e colocá-la para secar e posterior determinação gravimétrica para avaliar os efeitos da aplicação de Pós de Rochas, Biocharcoal, Adubação Verde, Compostagens e S.A.Fs aplicados ao solo em estudo. Isto é fantástico…

Os chineses dizem que seus resultados evidenciaram que, independentemente do tipo de solo, a humina total era a mais alifática e mais hidrofóbica, A Humina-AS foi a menos alifática e A Humina-AIS foi a menos alquilada entre as três componentes húmicas. Os resultados demonstraram que a Humina Total e suas correspondentes frações AS-humina e AIS-humina são estruturalmente diferentes uma da outra, o que implica que há diferença entre as funções desses componentes húmicos no ambiente como fixadoras dos gases do Efeito Estufa no solo que é a meta do poder financeiro, industrial e econômico sobre a ciência mundial.

O Biopoder Camponês contribui de outra forma: O cromatograma de Pfeiffer feito com terra de casa de cupim nos permite ver o maior equilíbrio que na maioria dos solos e até mesmo da Turfa ou Terra Preta de Índio da Amazônia. O húmus ao ser mastigado ou passar pelo trato intestinal da térmita é preparado para as paredes da casa do ser ultrassocial e o protege da radiação ultravioleta e calor, além de possuir um campo eletromagnético poderoso e uniforme. (FOTO).

Na Amazônia, os indígenas usam os cupinzeiros como fornos pela sua capacidade de resistir a altas temperaturas, o que foi aplicado ao “nariz” dos Space Shuttle da NASA revestidos de polímeros sintéticos que imitam as paredes dos cupinzeiros na sua forma tridimensional de dispor os ácidos húmicos para aguentar as temperaturas e luz ultravioleta que levariam um metal ao derretimento ao reingresso na atmosfera terrestre pelo atrito e risco aos tripulantes no interior da espaçonave. Os egiptólogos sabem que nas pilhas faraônicas utilizavam húmus junto com os metais de Cobre e zinco para prolongar sua durabilidade. (FOTO).

A maior atividade ultrassocial do Biopoder Camponês é produzir alimentos; a complementar evitar a Mudança Climática e a suplementar impedir que os avanços da tecnologia ultrapassem a barreira do entendimento. Já os governos títeres primam por fazê-lo e seus súditos com a mão sobre o coração cantam seu hino na Copa América.










__________________

*Engenheiro Agronômo e Florestal, ambientalista e escritor.

quarta-feira, 18 de maio de 2016

O poder é um fluxo que não admite incompetência

Sebastião Pinheiro*

Lisarb, o “Pereba” passou a noite com os olhos pregados na TV, cônscio de saber da trava em seus olhos e sem preocupar-se com o cisco no alheio (Mateus 7:3). Nunca em sua vida, antes, havia visto um jogo preliminar tão cretino.

A covardia ingênua da vítima presa com o focinho na ratoeira (corrupto) e a coragem medrosa dos algozes iguais, ainda livres. O resultado o espantou, pois a abstenção funcionou como empecilho a que “toda a unanimidade é burra” ensinamento do irmão de Mário Filho: 74 a 1. O Senador covarde, em desgraça, não teve a grandeza de subir a tribuna e transformar sua delação em libelo contra seus juízes. Não gritou como Danton (Tu me seguirás... Renan, Jucá, Barbalho, Agripino, Aécio, Gleici, Collor, Aziz, Braga et caterva). O ato de coragem eliminaria muito por baixo dez senadores com folha corrida igual à dele.

Será o silêncio o aceno com Anistia?

“No Brasil até o passado é incerto”. Postei Tânia e compartilhei a dignidade de R. Flores Magón.

Bem, o jogo de “cortar na própria carne” permitia aos que vivem de “pão e circo” aceitar o resultado do jogo principal, a decapitação da “Maria Antonieta”. Eqüidistante, com uma planilha analítica, Pereba separou os votos em três colunas: Aptos – Corruptos e Ineptos. Não lhe importava orientação ideológica, nem cultura ou “finesse”, apenas a fundamentação no voto.

Ao final seu escore foi 12 – 25 – 40. Alguns eram piores que defesa de moção em assembléia estudantil. Outros, mal lidos, do escrito de uma assessória, que permitia perceber, se homem ou mulher. Já os votos de Aluisio Ferreira, Cristovão e Collor, Viana e Requião foram dignos de tribunos.

É triste, em 13 anos os que pleiteavam um lugar permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas não conseguiram desindexar 25, e pior, burilar 40, pois não houve cuidado com a educação no plano ético e moral; menos ainda com a saúde e fizeram tudo tão errado com a Segurança Pública que ressuscitaram um zumbis do armário da ditadura (Etchegoyen). Pior foram corruptos, do primeiro ao quinto, e invertido, como se escreve no jogo de bicho.

Ignorantes de que o poder é um fluxo de energia unidirecional e vertical que não tolera desculpas, manipulação, remediação ou diversão promocional. O acobertamento ideológico às denúncias para fugir do alcance da Justiça desgasta e desmoraliza tanto quanto os números ou leis manipuladas.

Não tenho dúvida, sim houve um golpe. Os golpistas de 64 triunfalmente anunciam, agora, haver-se antecipado a outro antagônico que foi menos competente. Sim, somos prepostos. O estranho é que, agora, usam os mesmos instrumentos de antanho o Congresso Nacional, Mídia, ódio, soberba, incompetência e corrupção.

O governo tem culpa, muita culpa. São marxistas de arack, que desconhecem Ho Chi MInh em seu testamento, onde recomenda a autocrítica como resposta à toda e qualquer crítica para elevar o nível da educação política. Gente pobre de espírito. O fato de gente sair a rua pedindo à volta da ditadura foi o exemplo mais vexatório no último século.

Quem “vive para o pão e circo” desconhece que a mandatária, economista de profissão, ao não mostrar competência na produção de números, por honradez e humildade, deve fazer o meã culpa e pedir o boné, não esperar o pontapé na bunda, pois o que chuta se arvora de “salvador da economia, sociedade e povo”, pois são as ordens que cumpre como preposto.

História faz bem à saúde: O sucesso dos piratas holandeses com a “Companhia das Índias Ocidentais”, empresa criada com o botim do carregamento de prata (1623), espelha-se na trajetória de Sir Francis Drake, meio século antes, que abriu um novo e rentável segmento financeiro: A securitização do transporte marítimo para o império britânico-holandês através do poder militar.

A fundação da “República dos Piratas” foi um contraponto, embora não ameaça, mas pôs as realezas com as barbas de molho pelo que em 5 de Setembro de 1717, o rei George I proclamou um perdão real para todos os piratas, trazendo para seu lado três centenas dos de primeira linha. Seus sucessores o cumpriram à risca.



Só os ingênuos crêem em benevolência real. Cinco anos antes, Benjamin Hornigold, mentor de “Barba Negra” e “Sam Bellamy”, entre muitos outros, havia fundado uma República de Piratas em Nassau, e isso poderia prosperar por todas as 13 colônias americanas de forma catastrófica.

Obter informações dos piratas sobre suas compreensões sobre a realidade na América permitia organizar, antecipar e evitar o golpe.

A fundação da república nos Estados Unidos, em 1776, é mais próxima à “República dos Piratas” que à Coroa de George III, o derrotado. Foi um Golpe (E que golpe).

O poder é um fluxo que não admite incompetência, ainda mais nos prepostos.

Lisarb viu nestes 13 anos muita gente incompetente, revoltada e corrupta não se preparar para defender sua proposta ideológica. Triste poderia discorrer sobre a não aplicação da Lei dos Agrotóxicos e Transformação no país no maior consumidor dos mesmos e Transgênicos; O fim da Varig; O fim da Coolméia; O Projeto de legalização do Terminator do Vacarezza ou das modificações na MP da Leniência, mas detalhes não são observáveis por quem vive para o “pão e circo”, pois importa apenas propaganda e jogo de cena.

Um derradeiro exemplo basta para tripudiar sobre a realidade: A foto é do reitor da Universidade do Maranhão, agora professor fantasma (salário de 16.000,00 reais, cujo filho médico é funcionário fantasma do Tribunal de Contas do Maranhão, mas trabalha em São Paulo) Waldir Maranhão, interino na Câmara Federal chamado por seu governador F. Dino, ex-Juiz Federal e ex-professor de Direito, quadro do PC do B(?). Elaboraram a anulação revogando as sessões da Câmara que votaram o Impeachment com o Ministro da AGU.



Quem pleiteou um lugar permanente no Conselho de Segurança da ONU se transformou em escárnio mundial. Se a mandatária não sabia, não havia mais fluxo de poder sob suas mãos. Se, sabia é o pior, muito pior.

Renan não pestanejou, era o "Habeas Corpus" que necessitava. “Somente farei o julgamento do Impeachment, após a cassação do desafeto Delcídio”. Logo, qualquer abstenção é burra.

Aguardem, não haverá condenado graúdo na Lava Jato, nem punição à Cunha. Duvi do dó. Não haverá prisão, exílio ou olvido, apenas anistias políticas e econômicas para as grandes trapaças do governo de fenestrado.

Penas, punições com gradação severas só com os piratas: Amputação da mão; Perna e o caminhar na prancha, didaticamente antes vista.

Aqui e lá fora há uma guerra de bugios: Temer é agente da CIA. Dilma perdoa o empréstimo de 30 bilhões à Friboi (Meirelles, novo Ministro da Fazenda/Lula Jr?). Lula/Dilma “queimaram” 3,3 trilhões. Roger Agnelli, da Vale, denunciou extorsão de consultores (partidários) à Dilma um dia antes de morrer em raríssimo acidente de avião.

Em “firme terra brasilis” o espaço é da bisbórria e sarfadanas dos acólitos quase filigreses (procurem o significado).


Nada disso importa à mão do Council on Foreign Relations CIFR (foto), ontem e hoje. Sob a bandeira negra a luta segue e segue sem golpe ou contragolpe.

É impossível ocultar a verdade no tempo, pois haverá o amanhã.
________________________________
*Engenheiro agronomo e florestal, ambientalista e escritor

Juventude, em várias fases

Uma pintura, uma trilha ou uma poesia são linguagens de tempos próprios, sobre as quais o cinema tem o potencial de estabelecer convergências como nenhuma outra arte. Em A Juventude essas relações se dão em um nível metafórico intenso, que passeia constantemente entre fases distintas da vida. Paolo Sorrentino constrói uma bela e perturbante narrativa que convida a pensar sobre a redescoberta da de cada um, em diferentes momentos. Tendo como pano de fundo belíssimas paisagens dos alpes suiços, dois idosos experimentam o envelhecimento como um momento muito além de uma fase de silêncio: um período de grandes transformações espirituais, q se reflete sobre quem nos cerca, em uma relação recíproca e renovadora.

sábado, 7 de maio de 2016

Provocações do Tião - Ingenuidade pouca é bobagem

 Sebastião Pinheiro*

Todo barco pirata é pequeno, veloz e com bom poder de fogo, mas é na sua tripulação que está a chave para evitar que ele se torne na solidão da espera, uma Nau de Insensatos.

A audiência do Presidente do STF a vários partidos políticos exigindo a impugnação do presidente da Câmara e a indicação do Ministro M. A. de Mello como relator, à solicitação para o dia seguinte, provocou a reação, e deixa uma pulga atrás da orelha na marujada (foto)...


A ingenuidade abre as portas do paraíso aos gentios, pelo que duvido que o voto do Ministro Teori Zavascki tenha sido elaborado em poucas horas.

Emergencial foi a liminar de sua excelência concedida para a solicitação feita em 17 de Dezembro passado. Essa é a diferença entre o artista e o virtuose. O primeiro executa, atende; já o segundo, o faz com tal desempenho, harmonia (oportunidade) que é único e está acima da razão.

Ingenuidade pouca é bobagem. Não houve competência para conter o parceiro Cunha na candidatura à Câmara Federal. No poder, ele mostrou que o buraco era mais em baixo, além do infra-mundo moral, ao mesmo tempo que sua eficiência gestora gigantesca, em proveito próprio.

Fez-se de conta enfrentar sua súcia com refrães juvenis e clichês, mas "No hay mal que dure cien años, ni enfermo que los aguante". Menos de duas horas depois do anuncio do presidente do STF ribombou o trovão anunciando a Mãe de todas as tempestades, a liminar de afastamento, pegando a todos no contrapé.

O elaborado voto estava já a tempo suficiente em um barril de carvalho, que pela mitologia celta, simboliza honra.

Já há tanto tempo amadurecido, tinha a qualidade suficiente para impedir aventuras rocambolescas nos escaninhos de vaidade e poder. À luz, impediu "as vivandeiras de tribunais" e que, moribundos recebessem a "visita da saúde"; Cadáveres levantassem nos necrotérios; Zumbis das tumbas ou acorrentados fossem libertos, e até pôs uma pá de cal na proposta de eleições extemporâneas, confundindo e levantando ondas ameaçadoras de retrocesso.

O jovem estudante foi citado, por não querer deixar o país, quando o interessante é ensinar a todos a chegar ao país como cidadãos e não como privilegiados, como disse a ministra, dissecando a etimologia do termo.

Lembro o militante e político comunista que requeria recuperar o título nobiliárquico de seus antepassados, em situação juvenil, pior que a do estudante em preparação para ser elite hereditária. Há a liberdade em deixar o barco pirata a qualquer tempo, pela prancha...

Lembro ainda da época estranha, à saída do sopor da ditadura: O traficante "Meio Quilo" teve a bandeira nacional colocada sobre seu caixão, rapidamente retirada por um policial em vergonha pessoal. Nada mudou desde Pero Vaz de Caminha, os descendentes das capitanias hereditárias roubam desde a merenda à pesquisa científica, ou através das propinas centralizadas para os partidos, campanhas, construção do patrimônio de seus caciques ou na prestação de serviços (não convocação à CPI da Petrobras).

Escolas são ocupadas por novos "caras pintadas”, início de carreira política lembram o oportunismo para se eleger e ter sua lancha em um condomínio em Miami.

Policiais, promotores, juízes, pastores, artistas, técnicos, analfabeto conquistam mandatos, não por e para o exercício cidadão, mas por repercussão midiática de suas ações, úteis para arrastar votos da massa, multidão ou horda, em campanhas que a cada dia mais parece um show da Broadway, sem conteúdo, compromisso, apenas vaidades.

Motim só ocorre em alto mar, como diria Haydée Tamara Bunke Bider, "Tania" em seu poema:

“Dejar un recuerdo”.
¿Con que he de irme, cual flores que fenecen?.
¿Nada será mi nombre alguna vez?.
¿Nada dejaré en pos de mi en la tierra?.
¡Al menos flores, al menos cantos!.
¿Cómo ha de obrar mi corazón?.
¿Acaso en vano venimos a vivir, a brotar en la tierra?.

Na infância, chorava com o sentimento caipira na música de "Jararaca e Ratinho". Já com a faca nos dentes, concordei com “Reunião de Bacana” de Ary do Cavaco & Bebeto di São João.

Se gritar pega ladrão
Não fica um meu irmão
Se gritar pega ladrão
Não fica um
Você me chamou para esse pagode
Nem me avisou aqui não tem pobre
Até me pediu pra pisar de mansinho
Porque sou da cor eu sou escurinho
Aqui realmente está toda a nata
Doutores senhores até magnata
Com a bebedeira e a discussão
Tirei a minha conclusão
Lugar meu amigo é minha baixada
E ando tranquilo e ninguém me diz nada
E lá camburão não vai com a justiça
Pois não há ladrão e é boa a polícia
Lá até parece a Suécia bacana
Se leva o bagulho e se deixa a grana
Não é como esse ambiente pesado
Que você me trouxe para ser roubado"

Os mais pretensiosos preferirão a obra teatral de Fernando Melo, “Greta Garbo, quem diria, acabou no Irajá” ou “O triste fim de Policarpo Quaresma”, de Lima Barreto melhor adequados ao salvado do naufrágio, na significação de Goya.


Contudo, o cangaceiro “Jararaca” foi baleado quando da invasão de Mossoró e enterrado vivo (foto). Corre a voz no sertão que faz milagres. A propaganda anuncia que do outro lado da prancha está a "Arca da Salvação". No portão de Auschwitz dizia "O trabalho liberta".


A visão premonitória de "Tânia" e seu lindo poema continuam.

"Vocês passarão, eu passarinho".

Pois estou à bordo, na minha Natureza e Lar.

______________________________
*Engenheiro agrônomo e florestal, ambientalista e escritor