sábado, 18 de março de 2017

La Carne Y otros podridos



Sebastião Pinheiro*

“Perdonen las feas pero belleza es esencial” externó el poeta Vinicius de Moraes. Estoy en luto y soy obligado a exceptuarlo para exultar con lo que se esta pasando en Brasil y espanta el mundo. Más um escándalo con la alimentación. La carne (bovina, suína y de aves) brasileña, que representa más de 7% del Producto Interno Bruto es comercializada podrida por voluntad de políticos, frigoríficos y fiscales corruptos. Después de 24 meses de investigación la Policia Federal descubrió.


Lo extraño es que durante esse tiempo nada ocurrió contrariando normas de salud y exposición del pueblo. Los diálogos presentados en la Televisión entre ministros, políticos, fiscales espantan por la canallice.


Ese es um tema que conozco hace más de treinta años. En 1983 um cargamento de carne de charqui fue aprendido por ter sido tratado con formalina (Formol al 5%) y fui consultado por um médico toxicólogo profesor universitário sobre lo que se podia hacer... Sugeriendo um “arreglo” y él buscaba mi cumplicidad. Repeli con uma respuesta sencilla. “Es caso de fuzilamento de todos los participantes e incineracion, no hay más nada a hacer”. Nunca más fui interpelado por el facínora.


Fui servidor del Ministério de la Agricultura con concurso y expulsado por ser subversivo a los intereses de las grandes empresas de fertilizantes, agrotóxicos y otros insumos. Conocí toda la enajenacion y máfias presentes en el mismo desde los bajos a los altos eslabones. Por dos veces fui denunciado al SNI por mis própios colegas. 


Ahora ustedes entenden el contexto del verso de Vinicius de Moraes “Perdonen los feos pero belleza es esencial”. Brasil es tan extraño que la leche sufre el mismo problema hace más de cuatro años con operaciones (Leche Compensada) repetidas y reiteradas sin punibilidad a los responsables que tornan a cometer los mismos crimenes y descaradamente las autoridades anuncian uma nueva etapa de la operacion.


Yo desconfio que lo que se está gestando es la desmoralización ciudadana a través de acciones de inteligéncia en conmoción psicosocial, la peor forma de violência en nuestra realidad.


Trabajando em Espiritualidad y Agricultura para entender mistérios que grupos étnicos campesinos más que respectan, cultuan religiosamente y más hasta cosmológicamente es el único vinculo ultrasocial que garantiza la calidad como um compromiso. Cuando um humilde “Sin Tierra” asentado de la reforma agraria cuestiona el “Agronegócios”, en su poca o ninguna capacidad argumentativa fuera la revolta nos deparamos com doutos profesores, políticos y otros afirmaren que todo es agronegócios.

En el agronegócios brasileño y mundial (exemplo de la leche china con melanina fue escândalo mundial con algunos fusilamentos) no tiene ética, moral, pues sigue solamente una norma: Márgenes de Lucro para mantener la “Salud Económica”. Por eso estudiar Mariátegui es muy necesario para entender la espiritualidad en la agricultura y sociedad. La lucha sigue y sigue pues son millones de Zapatas que viven. 


Por favor, decifren la foto de Roberto Capa, El primer muerto en la Guerra Civil Española. Retorno a mi luto hasta el dia 05 de Abril.

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*Engenheiro agrônomo, ambientalista e escritor

domingo, 5 de fevereiro de 2017

LULA NUNCA SABE O SEU LUGAR

Por Wilson Gomes,
professor de comunicação da UFBA

Primeiro apareceram os que acusaram Lula de pecado futuro: vai usar a morte da esposa para se fazer de vítima. Acusar alguém de pecados ainda não cometidos é uma tentativa de fechar ao acusado uma alternativa, de desqualificá-la de antemão: "vai doer, mas chorar você não pode; tente, então, ficar quietinho". "Fazer-se de vítima" é uma dessas expressões curiosas da alma brasileira, vez que quem acusa o interlocutor de se fazer de vítima geralmente está fazendo o papel de verdugo. O carrasco está barbarizando, mas, por favor, tenha compostura, "não se faça de vítima".

Depois apareceram as condenações pelo "uso político do velório". Como pode um sindicalista e político enterrar a própria esposa com um coração de político e sindicalista? Tinha que ter havido discrição, silêncio. Como pode um sujeito enterrar a sua companheira de vida, cuja morte foi, no mínimo, acelerada pelo desgosto e por acusações que, segundo ele, são injustas, berrando, esperneando, acusando? Não, o certo era ficar quietinho ou, se fosse mesmo para fazer drama, que se cobrisse de cinzas, batesse no peito, em lágrimas, e gritasse "mea culpa, mea maxima culpa!".

Fosse apenas questão de ser sommelier do luto alheio, até me pareceria razoável. Afinal, o Facebook é principalmente uma comunidade de tias velhas desaprovando as saias curtas e os comportamentos assanhados dos outros. Mas, é mais que isso. Pode haver um aluvião público de insultos, augúrios de morte e dor, e difamação à sua esposa, durante duas semanas, mas Lula não pode mostrar-se ultrajado ou ofendido, não pode desabafar do jeito que pode e sabe, não pode espernear. Em vez do "j'accuse", o certo seria a aceitação bovina do garrote, da dor, da perda. Em vez do sindicalista e político, em um ambiente privado do sindicato, velando entre amigos a mãe dos seus filhos, havia de ser um moço composto e calado. Todo mundo tem direito de velar os seus mortos como pode e sabe, exceto Lula.

Uma parte da sociedade brasileira nunca se cansa de mostrar a Lula o seu lugar. E de reclamar, histérica, quando ele, impertinente, não faz o que ela quer. Tem sido assim. Lula já foi insultado de analfabeto, nordestino, cachaceiro, ignorante e aleijado, muito antes de ser chamado de corrupto e criminoso. A cada doutorado honoris causa de Lula choviam ofensas e impropérios porque ele não tinha todos os dedos, porque era uma apedeuta, porque era um peão. Qualquer motivo para odiá-lo sempre foi bom o bastante para uma parte da sociedade.

Agora, estamos autorizados a odiá-lo por mais uma razão: o modo como acompanhou a agonia e como velou sua companheira. Que os cultivados me perdoem a analogia, mas isso me lembra a acusação feita em O Estrangeiro, de Albert Camus, ao sujeito que não conseguiu chorar e sofrer, como aos demais parecia conveniente e apropriado, no funeral da própria mãe: "J'accuse cet homme d'avoir enterre sa mère avec un cœur de criminel". "Eu acuso este homem de ter enterrado a sua mãe com um coração de criminoso". No surrealismo da narrativa política brasileira, a história se repete: Lula deve ser desprezado porque enterrou a esposa com um coração de político e sindicalista e isso não está direito. Voilà. Lula nunca vai aprender o seu lugar. Tsc.